sexta-feira, 6 de novembro de 2009


sábado, 10 de outubro de 2009

Os nossos Vazios de Todo Dia


Rachel Whiteread é uma artista inglesa de 46 anos. Yayoi Kusama, também artista plástica, japonesa, está na casa dos 80. À primeira vista, nada em comum entre elas, nem no trabalho das duas. Mas, se analisarmos um pouco mais, à sua maneira, cada uma delas preenche o vazio de forma diversa. A questão na verdade , é esse imenso vazio. Para Rachel, o que importa é o vazio entre as coisas. Lembra a música do Gil: "É sempre bom lembrar, que um copo vazio, está cheio de ar". Usando a modelagem como base de trabalho e pensamento, ela coisifica o vazio entre as coisas. Os vãos das cadeiras acabam por se tornar forma, através dos moldes em gesso , concreto ou resina. Indo muito além do pensado, ela tira moldes de casas inteiras por dentro, casas dos subúrbios de Londres, que vão ser derrubadas. Casas vitorianas de outra época, uma época que vai se extinguindo a cada dia que passa. Ela perpetua não a casa, mas esse fantasma que é o vão das coisas, dando forma à ausência da construção externa, pois são as paredes e janelas e portas internas que nos é dado ver pelo processo de molde. O avesso exposto pelo lado de fóra. Seus monumentos ( podemos chamá-los assim?) não recebem tinta e mantém a cor acinzentada do material. Silenciosas presenças que nos remetem aos limites, à memória, à morte. Sua obra prima é um monumento aos judeus austríacos. Foi erguido em Viena, num lugar chamado Judenplatz, na forma de uma biblioteca " pelo avesso": as paredes que formam o bloco cúbico do monumento, foram moldadas em estantes de bibliotecas. Brancas. Livros em branco de histórias que não foram escritas, de 6.000 judeus austríacos mortos.


Yayoi Kusama poderia ter se tornado tão famosa quanto Andy Warhol. Frequntou o mesmo
grupo Pop Art da época. Porém, em 1975, voltou para Tóquio e se internou numa clínica

psiquiátrica onde está até hoje. Ela sofre de Transtorno Obsessivo Compulsivo e sua compulsão é por pontos e bolas. No Japão , ela talvez seja considerada a maior artista contemporânea. Continua trabalhando e preenchendo todos os espaços com seus pontos, criando, ao inverso de Rachel, um universo infinito, inteiramente preenchido de formas geralmente circulares e cores, muitas cores. Suas intalações com espelhos circulares e lâmpadas coloridas formam padrões caleidoscópicos ao mesmo tempo divertidíssimos e desnorteantes: exatamente como grandes cidades como Tóquio ou Las Vegas. Espaços que, na verdade, estão quase vazios: apenas alguns espelhos e lâmpadas, mas que nos dão a ilusão de um preenchimento completo.
Rachel traz o fantasma do que se acabou. Yayoi nos mostras como também somos compulsivos nas nossas cidades, casas, vidas, trabalhos, preenchendo todos os nossos minutos com miríades de imagens e estímulos. Fascinantes.Vazios.

sábado, 26 de setembro de 2009

A Vida Privada da Obra de Arte




Algumas das grandes obras de Arte possuem uma história particular por vezes mais interessante que a própria história dos artistas que as produziram. Uma história de resistência e sobrevivência às ameaças do tempo e das pessoas.
"A Ressurreição" , afresco de Piero della Francesca e "A Santa Ceia", de Leonardo da Vinci, por exemplo, escaparam por um triz dos bombardeios da Segunda Guerra Mundial.


"A Primavera", de Botticelli, foi criada para ser um presente de casamento e para ornamentar a parede do quarto do casal: cheia de simbologia, teria um função subliminar de ajudar o casal, bastante jovem, nos procedimentos sexuais do casamento.
A belíssima modelo da "Vênus", de Velazquez, teria sido uma amante italiana do pintor, quando este viveu por 3 anos na Itália.

Baseada em uma longa série da BBC de Londres, eu organizei um curso em 10 aulas onde conheceremos cada detalhe das obras escolhidas: a que se destinavam, o procedimento técnico utilizado na sua confecção, as polêmicas causadas, as ameaças do tempo e das guerras, os fatos e pessoas responsáveis por sua sobrevivência.

São elas:
07/10: ‘A RESSURREIÇÃO’ Piero della Francesca
14/10: ‘A SANTA CEIA’ Leonardo da Vinci
21/10: ‘PRIMAVERA’ de Botticelli
28/10: ‘VÊNUS’ Velazquez
04/11: ‘A RONDA NOTURNA’ Rembrandt
11/11: ‘3 DE MAIO DE 1808’ Goya
18/11: ‘LIBERDADE GUIANDO O POVO’ Delacroix
25/11: ‘O BEIJO’ Rodin
09/12: ‘DOMINGO NO GRAND JATTE’ Seurat
15/12: ‘O GRITO’ Munch

O Curso vai acontecer todas as QUARTAS , das 19:00 às 21:00, no ESPAÇO TELEZOOM do Leblon, no Rio de Janeiro.
Inscrições e informaçõe nos telefones
(21)3435-1617 e 3435-1588

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Circuito das Artes do Jardim Botânico

rua lopes quintas
grupo Samba com Chucrute no Baukurs








gabriela civitate

e cátia capistrano
do ateliê Casa Azul














Já existe há 13 anos. É quando os ateliês do bairro, que são muitos, abrem suas portas, todos de uma vez, para que as pessoas possam visitá-los e conhecer o resultado do trabalho de tantos atistas e artesãos. O primeiro bairro a tomar essa iniciativa foi Santa Teresa, outro lugar com vários ateliês.

Pouco tempo depois, Gabriela Civitate e Cátia Capistrano começaram a organizar o Circuito no Jardim Botânico. Gabriela ceramista e Cátia gravurista são sócias, com outras artistas e artesãs, na Casa Azul Ateliê.
Eu mesma, durante um tempo, tive o meu ateliê no mesmo endereço: Rua Lopes Quintas 201, e já participei do Circuito com gravuras e guaches, com palestras, divulgando meu livro sobre a Festa do Divino em Paraty ou mediando mesa de debate. Este ano as aulas me tomaram todo o tempo. Infelizmente não consegui produzir um trabalho plástico. Por outro lado, pude percorrer a pé os ateliês e participar de alguns eventos, coisa que , quando somos expositores, jamais conseguimos porque o movimento é muito intenso e não podemos sair nenhum minuto das nossas salas. Daí que resolvi fotografar alguns momentos e é isso que venho dividir com vocês aqui no blog.

Christina, ateliê Casa Azul

A edição deste ano parece ter alcançado seu formato ideal. Foram dois finais de semana, do meio dia às 9 da noite, com oficinas de ritmo, capoeira, grupo de chorinho, todos se apresentando nas ruas. Curiosamente o bairro concentra um grande número de ceramistas e os trabalhos tem se apresentado cada vez mais interessantes a cada ano que passa.

grupo
tambor carioca




O tempo foi esplêndido e o prazer de ver esses variados trabalhos de arte foi aumentado pelo sol cálido de quase primavera e a brisa que trazia os aromas diversos do Jardim Botânico e da Mata Atlântica.


O Circuito acontece nos dois finais de semana de Agosto. Ano que vem espero poder participar novamente como expositora.



video

sábado, 8 de agosto de 2009

Jackson Pollock e o Xamanismo


Jackson Pollock nasceu em Cody, Wyoming, em 1912 e talvez seja o mais conhecido representante da Action Painting ou Expressionismo Abstrato da Escola de Nova York. Seu interesse gravitava em torno da Filosofia do Extremo Oriente, dos escritos de Krishnamurti, das teorias de Jung, da música de John Cage, do Jazz e da pintura de Picasso, especialmente Guernica. Como muitos artistas de sua geração, sentiu-se atraído pelas experiências surrealistas com o automatismo psíquico e pela arte dos dito "primitivos". Picasso e Matisse reviram seus conceitos estéticos a partir da arte da Oceania e da África.




Pollock foi buscar no xamanismo dos índios norteamericanos um fio condutor para sua busca pessoal através da arte, que surgia agora mais como um prolongamento exterior da interioridade do artista. Num primeiro momento, seus quadros semifigurativos ainda procuram ilustrar vivências rituais xamânicas: o sacrifício, a fusão homem animal ( a fusão de um xamã em um animal totêmico é uma das suas condições para sua viagem no invisível), o nascimento, o êxtase, a morte , o renascimento, produzindo uma arte de essência espiritual, fruto de um pensamento penetrado por simbolismos, plena de sacralidade e sensualidade.


Nos últimos dez anos de sua vida, Pollock dedica-se ao que se convencionou chamar de "dripping" , onde ele parte do zero, do pingo de tinta que deixa cair na tela, deixando certa margem para o acaso que atua como um sentido de liberdade em relação às leis da lógica. Nesta fase de sua obra, não "ilustra" mais através das imagens a "viagem" xamânica; agora , por intermédio da pintura de ação, é a própria vivência ritualística que está ali representada. Sua pintura é resultante de uma gestualidade corporal que o mantém numa condição de excitação constante, quase um lúcido delírio: o êxtase xamânico. É a única pintura que não toca a tela e na qual o artista funciona como um intermediário entre sua própria natureza e a obra, produzindo marcas com o auxílio do acaso e do rítmo de seus gestos.

De Outubro do ano passado a fevereiro deste ano, Pinacothèque de Paris expôs "POLLOCK ET LE CHAMANNISME", reunindo obras deste período e alguns objetos rituais.


video

terça-feira, 14 de julho de 2009

"A thing of beauty is a joy forever"

Lygia Pape nasceu em Nova
Friburgo no estado do Rio de Janeiro
em 1927.

É considerada, inclusive no exterior, uma das mais importantes representantes das Artes Plásticas contemporâneas brasileiras. Sua trajetória se inicia com o abstracionismo geométrico e evolui para o neoconcretismo, movimento encabeçado por Ferreira Gullar e Hélio Oiticica, em meados da década de 1950, no Rio de Janeiro. Lecionou na Belas Artes da UFRJ e na Universidade SAnta Úrsula. Participou de várias exposições coletivas e individuais. Trabalhou com cinema e ganhou uma bolsa da Fundação Guggenheim, passando a residir em Nova York por vários meses. Morreu em 2004.

A atual Bienal de Veneza está expondo esse magnífico trabalho dela, da série "Ttéia". Luz e fios de aço produzem um espaço de magia e precisão, delicado e impactante, frágil e poderoso. Esse trabalho data de 2002 e possui uma qualidade de atemporalidade que o desliga de qualquer tendência ou escola moderna, pósmoderna, contemporânea.
Foi premiada postumamente.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Vete de Mi

















http://http//www.youtube.com/watchv=X69n13xhbO8&feature=PlayList&p=49470FD670E73EB0&playnext=1&playnext_from=PL&index=3
ESTRANHAMENTE ESSE LINK NÃO QUER ABRIR. SUGIRO QUE VÁ ATÉ O YOUTUBE E PROCURE POR VETE DE MI BEBO Y CIGALA. VALE A PENA!!!

Diego, el Cigala é um cantor de música flamenga. Bebo era um pianista cubano, das antigas. Juntaram-se para criar um álbum chamado "Lágrimas Negras", só com músicas latinas, incluindo a brasileira "Eu sei que vou te amar", com participação do Caetano.Há músicas cubanas, argentinas,mexicanas e uma espanhola, a gitaníssima "Bien Pagado", também . A voz rascante e emocionada de Diego é docemente envolvida pela elegância do piano de Bebo, numa mistura inusitada e bela. Essa gravação de "Vete de Mi" é de "poner los pelos en punta".
"Difruta, pués!"

pau brasil

pau brasil
foto tirada em setembro de 2008, de um exemplar no Jardim Botãnico, RJ.

Filmes que estou me lembrando agora

  • "O Jardineiro Fiel" ( Fernando Meireles), "Apocalypsis Now" ( Coppola), "Amarcord" (Fellini)," Cidade de Deus" ( Fernando Meireles), "Lavoura Arcaica" (Luis Fernando Carvalho),"A Noite dos Desesperados" ( Sidney Pollack),"Excalibur"( John Borman), "Jules et Jim" ( François Truffaut), "Roma" ( Fellini),"Blow Up"(Antonioni),"Salam Cinema!"(Makhmalbaf),"Babel" (Alejandro Iñarritu),"Diários de Motocicleta" ( Walter Moreira Sales)
  • "Volver"(Almodóvar), "Hable con Ella" (Almodovar), "Carne Trêmula"(Almodóvar), "Ata-me' (Almodóvar), "Todo Sobre mi Madre"(Almodóvar), "Barcelona" ( Woody Allen), "Match Point" (Woody Allen), "Manhattan" (Woody Allen)

Livros que estou me lembrando agora

  • " A Prosa do Observatório" ( Julio Cortazar), "Passeio ao Farol" ( Virginia Woolf), "Budapest" ( Chico Buarque),"Hamlet" ( Shakespeare),"O Segredo da Flor do Ouro"(Jung),"A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen"(Eugen Herrigel), "I Ching o livro das mutações"(tradução de Richard Wilhelm),"Bhagavad Ghita"(tradução de Ramananda Prashad),"As Mil e Uma Noites'( tradução de Mamede Moustapha Jarouche),"História da Arte Italiana 1,2,3"(Giulio Carlo Argan),"Carnaval no Fogo" (Ruy Castro),"De Todos os Fogos o Fogo" (Julio Cortazar), "El Libro de los Seres Imaginarios"( Jorge Luis Borges),"Cartas a Theo' ( Vincent Van Gogh), "Noa Noa "(Paul Gauguin),"O Paraiso na Outra Esquina" ( Mario Vargas Llosa), " A Invenção da Liberdade"( Satarobinsky)
  • "Evangelho Segundo Jesus Cristo"( Saramago), "Ensaio sobre a Cegueira"(Saramago), O "Leite Derramado" (Chico Buarque), "As Núpcias de Cadmo e Harmonia" (Roberto Calasso)," Mulheres, Militância e Memória"( Elizabeth X. Ferreira), "Logações Perigosas" ( Chauderlos de La Clos),"Drácula"( Bram Stocker),"Do Espiritual na Arte" ( Wassily Kandisnky)