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sábado, 11 de agosto de 2012

Região Portuária do Rio de Janeiro



Hoje levei um grupo para uma visita guiada à Praça Mauá, Pedra do Sal, Cais do Valongo, Jardim Suspenso do Valongo, Morro da Conceição e Saara. NENHUMA BALA PERDIDA, NENHUM ASSALTO, só homens trabalhando nas obras do Porto Maravilha ( hoje é sábado) e um grupo do bloco Escravos da Mauá ensaiando uma batucada sensacional perto da Pedra do Sal. Ao descermos a pé o Morro da Conceição, encontramos um
grafiteiro criando uma bela obra numa esquina. De máscara e luvas. Quando o parabenizei pelo trabalho, tirou a máscara e deu um sorrizão bonito. Nossa visita guiada ao Jardim Suspenso foi orientada pela competente Roberta - do setor educativo - que nos contou detalhes da História do entorno. O Cais do Valongo estava montando um palco e stands na Praça: logo mais, na festa de encerramento da Olimpíada, haverá um show lá como parte das boas vindas aos Jogos do Rio. TURISTAS DO RIO, DO BRASIL E DO MUNDO: VENHAM À REGIÃO DO PORTO VISITAR!!! Para marcar visitas guiadas, ligar para BRUNO (21) 71014410 ou FLÁVIA (21) 88547625. Dias de visitas: de terça à domingo, às 11 e às 14. Grupos de 10 pessoas.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Manhã de Carnaval

Montei esse filme de manhãzinha, antes de sair pro bloco Cordão do Boitatá, na Praça XV, Rio de Janeiro.
As fotos eu recolhi na internet.E outras 3  são minhas:  duas do Cordão do Boitatá e a de dentro do Bondinho de Santa Tereza.
Quem canta a linda música de Luis Bonfá e Tom Jobim é Astrud Gilberto. À capela!





domingo, 22 de janeiro de 2012

E a tarde caía feito um viaduto...


Nos meados dos anos 70 tivemos o privilégio de ser alunos e alunas  de Nelson Leirner, Julio Plaza, Regina Silveira, Ubirajara Ribeiro, Walter Zanini, Evandro Carlos Jardim, Nicolas Vlavianos, Rafael Buongermino, Duschennes, Donato Ferrari, Tomoshige Kosuno,Donato Chiarella,entre outros grandes professores da FAAP , quando, após o assassinato de Wladimir Herzog - então também professor de jornalismo da FAAP- nos porões da ditadura, iniciava-se um período de reivindicação das liberdades democráticas. A FAAP fervilhava de entusiasmo e criatividade. E as aulas do Nelson Leirner eram as que mais mexiam com a gente. As que não nos deixavam dormir à noite. As que desmontavam tudo o que anteriormente acreditávamos. As que nos desnudavam das nossas máscaras narcísicas e nos propunham a sinceridade. A verdade. A pureza mais íntima.
Resgatei esta entrevista com ele de um catálogo que tenho.



ENTREVISTA COM NELSON LEIRNER ( Catálogo da exposição "Onde está você, Geração 80?", 2004, CCBB - Rio de Janeiro.
 Daniela Name e Fernanda Lopes

Um dos maiores nomes da arte brasileira nos anos 60, Nelson Leirner, um dos fundadores do Grupo Rex, integrou a equipe de professores que mudou  cara do curso de arte da Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP) na virada dos anos 70 para os anos 80. Junto com nomes como Regina Silveira e Julio Plaza, Leirner ajudou a formar alunos como Leda Catunda, Sergio Romagnolo, Luiz Zerbini e Leonilson.
A característica fundamental da FAAP era misturar a pintura com outras formas de expressão artística o que se refletiu diretamente nos alunos formados nas suas oficinas.

Conte por favor um pouco da sua história na FAAP.
Quando você começou a dar aula?

NL: Comecei a dar aula na FAAP em 1973. Naquela época se começou a pensar numa reestruturação das artes plásticas na FAAP. Entrei como professor convidado e era um grupo que tinha o Donato Ferrari, o Mário Ishikawa...Eles estavam tentando replanejar o curso de arte, trazendo novos professores. E foi aí que, eu, Regina Silveira, Julio Plaza e Walter Zanini começamos a dar aula. Antes da gente, a ênfase maior era para as aulas teóricas. A aula prática praticamente não existia. Tanto que as oficinas eram minúsculas, fora do prédio da FAAP, em um galpãozinho. Dávamos aula lá, mas quase não havia equipamento, nada. Com o tempo, a FAAP virou uma universidade com uma múltipla ação. Artes Plásticas foi sempre curso deficitário, que não rendia financeiramente. Porque Artes Plásticas, engraçado, era um curso onde as pessoas começavam mas interrompiam. Tanto que era chamado de ‘espera marido’ (risos). As pessoas entravam para esperar casar, para fazer alguma coisa até casar. Depois que casavam, iam embora. Então os cursos que começavam com 30, 40 alunos por turma, terminavam com duas, três pessoas, a maioria era de mulheres. Isso começou a mudar fins dos anos 70. Como o novo quadro de professores já estava lá há quase 10 anos, tivemos a chance, depois de muita luta política, de transformar o quadro de ‘espera-marido’ para alguma outra coisa...Pela diretoria, o curso teria sido até fechado. Mas havia um testamento da família Penteado que obrigava a manter a universidade sempre ligada às artes. As Artes Plásticas eram um osso atravessado na garganta deles. Todos os movimentos políticos, todos os movimentos de greve por melhores salários, começavam nas Artes Plásticas...
Com o tempo as aulas práticas assam a ter uma importância maior? Isso gera resultados nos trabalhos dos alunos? Aqui no Parque Lage houve uma espécie de resgate do prazer pelo fazer...O que aconteceu em São Paulo?
NL: O Parque Lage era muito mais voltado para a pintura. Em São Paulo, abríamos mais o campo para o objeto, para  a instalação, para outros meios. E também formamos críticos, como a Daniela Bousso, que foi minha aluna nos anos 80. O Martin Grossmann também foi meu aluno. Discutíamos sempre no bar, o Buim, que era uma espécie de continuação da sala de aula, um ponto de encontro de professores e alunos. De dia você discutia na lanchonete dentro da FAAP. À noite, ia para o Buim e continuava discutindo, só que todo mundo terminava bêbado...Podia até ter surgido um movimento dadaísta no Buim, se tivesse um Tsara por lá. (risos) O bar fervilhava.
Você acha que o fato de os professores não terem uma formação como pintores, como acontecia no Parque Lage, faz com que a Geração 80 saída da FAAP tenha obras com características mais híbridas Como as aulas se refletiram no trabalho de alunos como Leda Catunda, Sergio Romagnolo e Leonilson?
NL: Cada um poderia escolher o professor que quisesse como orientador. A Leda e o Sergio me escolheram. E cada um ia escolhendo o professor que se adequava mais. A Regina Silveira, por exemplo, tinha uma pesquisa mais da imagem, começou a usar o microfilme, computador, Xerox, multimeios. Eu estava mais ligado ao objeto, à instalação, à performance... Havia um deslocamento de alunos para outras linguages que não a pintura, embora nós também déssemos aula de pintura.
Mas a pintura de leda Catunda é meio objetual, não é? Sai do plano.
NL: Lógico, sai do plano direto. Nas minhas aulas, eu provocava os alunos. Minha primeira aula de pintura era sem tinta. Dizia: “peguem um lençol e, sem usar nenhum tipo de tinta, tragam um trabalho de pintura”. Deu no que o Leonilson fez a vida inteira. Mas havia um choque dentro da própria FAAP , porque eu fazia este tipo de coisa e outros professores insistiam no uso da tinta. Ao mesmo tempo, o Juli Plaza falava de multimídia, a Regina de Xerox. Aquela porcentagem de alunos que estavam realmente interessados, começam a pensar em arte.
Vocês acabaram mudando a faculdade.
NL: Abrimos a faculdade para os alunos. Eu me lembro até hoje, por exemplo, que vários trabalhos de alunos invadiram o saguão principal onde estavam as estátuas do Aleijadinho. Daquela escadaria saía um belíssimo trabalho da Laura Vinci. Iran do Espírito Santo ocupou a parede com as malas que ele fazia. Era pintura mas na parede, na forma de objetos. Nós conseguimos sair da sala de aula. Havia professores que ainda exigiam técnica, o domínio perfeito da solda em metal, por exemplo. E havia alunos que tinham um trabalho que se aproximava destes mestres. Comigo, se um aluno dobrasse o metal errado ou não soubesse usar a solda, eu pedia que ele chamasse um técnico. Estava mais interessado na idéia, no projeto. A diferença entre os professores dava à FAAP um certo equilíbrio. Havia várias cabeças. A experiência de uma escola livre é diferente: você escolhe um único professor, o que para mim é negativo. Você não tem a opção de levar uma chacoalhada de um, de outro...” não, mas ele me mandou fazer isso”, dizia um aluno para mim. E eu respondia: ‘ mas ele não sabe o que ele está falando”. E o aluno era obrigado a se mexer.
Vocês faziam um cabo de guerra na cabeça do aluno.
NL: O aluno pirava, isso era a grande coisa que acontecia naquela época na FAAP. Mas míngüem obrigava ninguém a nada. Meus alunos não tinham que fazer performance porque eu fazia, tanto que eu dava aula de pintura. MS de maneira diferente dos professores tradicionais. A primeira medida que cada aluno tinha que tomar era jogar fora a maleta de pintura, aquele material arrumadinho de estudante comportado. Eu gostava de fazer uma terapia de choque nas primeiras aulas. Chegava em aula, pegava um livro, qualquer um, e falava: “ escrevam”, e fazia eles escreverem por duas horas seguidas um texto. No fim da aula eu chegava e falava: “ Vocês são uns babacas. Vocês me obedeceram durante duas horas sem nenhum questionamento porque vocês estavam fazendo isso?”
E alguma vez alguém questionou?
NL: Sim, e quando isso acontecia, a aula terminava. Você começa a formação de alguém desse jeito. Outra coisa que eu fazia era perguntar “ Quem quer passar?” no primeiro dia. “Quem quer passar com nota 5 levante o dedo”. Aí um ou dois levantavam a mão. Eu pedia os nomes e anotava. Depois eu falava: “ E agora, quem quer passar com nota 7?” (risos) Os dois com nota cinco já ficavam meio ressabiados, entende? Também oferecia aos alunos a oportunidade de tirar a nota no baralho. Fazia isso quando o aluno vinha me mostrar o trabalho e eu percebia que ele tinha chutado, feito de qualquer maneira. Porque não gostava de reprovar, reprovar em arte é meio absurdo. Então eu abria o baralho e falava “Você tem seis chances a favor e quatro contra”. Muitos deles tiravam nota no baralho e, se tirasse dez, passava com dez.
E tinha gente que não topava o jogo?
NL: Ah, sim... A maioria não topava o jogo. A maioria tinha receio. Na faculdade, o aluno sabe que ele tem que ter presença e nota. Se ele não tiver presença e nota, ele não vai para frente. Esta é a diferença de um curso livre. Um professor de faculdade tem na mão um alto poder de exigir trabalho. Eu dizia:” quero cem croquis de cada um para a próxima aula”. Eles traziam uma porcaria, lógico, mas o que importa? Era a chance de, na aula seguinte eu perguntar: “ Vocês sabem o que significa cem?” Cem croquis, se vocês pensarem bem, pode ser uma instalação. Então não é à toa que a gente pede as coisas pra vocês. É para vocês saberem que tudo tem outras soluções. Eles apanhavam de mim, da Regina, do Julio... O fim da ditadura ajudou muito essa explosão da Geração 80, porque na ditadura na poderia haver aulas como esta.
Qual a lembrança que você tem destes alunos, 20 anos depois?
NL: Casei a Leda e o Sergio. Estimulei os dois a namorar e acabou dando certo. Zerbini também foi meu aluno, tinha uma ótima cabeça. Leonilson não terminou a FAAP. Ele fez a FAAP no começo. Foi meu aluno só um ano. Agora, é muito curioso porque você percebe logo quando alguém tem talento, então deixa esse tipo de aluno solto, para que ele possa criar. Com ele foi assim. A maioria...bem, passaram por mim seis mil alunos. Digamos que apenas 1% deles se tornaram bons artistas. Você tem que saber lidar com tantas cabeças e saber que muitos estão ali e não vão acontecer na carreira. Quando eu entrava na primeira aula, eu fazia a experiência de olhar para cada um. Na maioria das vezes, sabia quem ia ser um bom artista ou não nesta primeira olhada, pela postura, por algo inexplicável.
E quais eram as características que indicavam um futuro bom artista?
NL: Questionamento, o posicionamento, o interesse. Eu era conhecido como um professor muito duro. O pessoal chorava mesmo. Até hoje o pessoal tem medo de mim. Não era carrasco, mas fazia questão de induzir os alunos ao erro para que eles perdessem as idéias pré concebidas. Na arte você tem que saber uma coisa: tem sempre um discurso que pode ser positivo e um que pode ser negativo, dentro de um mesm trabalho. Seja qual for o trabalho, você pode pender para um lado ou para o outro. Então, de repente, dando certos tipos de exercício ao pessoal, sabia exatamente como destruir alguma coisa. Arrasava. Fazia zero do outro. E mostrava como construir também. É engraçado, porque o aluno que entra no primeiro ano, já vem fantasiado de artista. Ele já vem com tudo pendurado em cima dele, como uma árvore de natal. Vem com o melhor papel que existe, ainda mais na FAAP, que é uma faculdade de gente que tem dinheiro.
E a tarefa do professor é desmontar isso?
NL: De cara.
E dói , né? Por isso eles choravam...
NL: Mas o que eu fazia não era destruição. Tentava mostrar como eles podiam ocupar espaço. Ana Tavares foi minha aluna e passou por estas experiências. Cada aluno apresentava um trabalho. E Ana Tavares foi o único dez geral, avaliado positivamente por todos os professores, já que havia uma grande troca entre nós. Quando acabava o ano, nós fazíamos uma exposição por toda a FAAP. Ocupávamos a faculdade com o trabalho dos alunos e todos iam olhar, para dar opinião. Eles acompanhavam não só para ouvir, mas também para aprender a fazer uma leitura do trabalho. Era muito rico, porque a gente deixava claro que arte não se ensina e nós mesmos não sabíamos direito o que estávamos fazendo lá. Isso dava um nó na cabeça do aluno, mas também fazia ele crescer.

sábado, 22 de outubro de 2011

La Cocagne, A Cocanha, The Cockaigne,A Cocaína

"Este país não foi até o presente conhecido por ninguém, salvo pelos patifes e velhacos que o descobriram primeiro. Todos aqueles que quiserem render-se a ele, devem ser intrépidos e bem preparados para enfrentar grandes coisas porque, diante de si, estará uma muito alta e muito larga montanha de massa, através da qual eles deverão abrir caminho comendo antes de chegar no lugar, muito famoso e muito bem conhecido dos mal intencionados e dos que deixaram para trás toda a virtude e honorabilidade. Porque não há maior vergonha neste pais da Cocanha que se comportar virtuosamente, racionalmente, honradamente e com boas maneiras, e de amar ganhar sua alimentação com suas próprias mãos. Aquele que se mantem virtuosamente e honestamente é isolado de todos e, finalmente, banido do país da Cocanha".
Tradução livre de um texto em francês, originalmente publicado em flamengo na época de Bruegel, séc. XVI.

A Terra da Cocanha - Bruegel
Este mito da Terra da Cocanha surge recorrentemente, a partir da Idade Média, em épocas de extrema privação alimentar, de doenças e de pestes. Neste mundo imaginário, a fartura chega aos limites de um fastio nauseante e imobilizante, que obtusa os sentidos e aniquila as vontades. Pelo texto acima, depreendemos que o mito traz embutido um discurso moral: num tempo em que a maioria se debate entre a fome e a sobrevivência, os velhacos e patifes que habitam a Terra da Cocanha, são os que consomem sozinhos o que daria para saciar a fome de muitos, na ânsia compulsiva de botar para dentro, de guardar em si, e para si, o máximo de alimento possível.
mangual
 Bruegel, o Velho (Breda, 1525/1530 / Bruxelas / 9 de setembro de 1569), pintou uma imagem sobre o tema, em  óleo sobre madeira em 1567, que  hoje se encontra na München Alte Pinakothek. Nela podemos ver um camponês um cavalheiro e um letrado que estão prostrados no chão, embaixo de uma árvore, cujo tronco é circundado por uma mesa posta. Cada um deles  repousa a cabeça sobre uma base diferente: o nobre, em cima de uma almofada, o letrado sobre um casaco de pele e livros, e o camponês sobre um mangual ( um instrumento através do qual se malha cereais para debulhá-los.). O escudeiro, ao lado esquerdo, vestido com uma armadura, monta guarda sob as provisões e espera que algo lhe caia na boca aberta. À direita, vemos a montanha de papa sendo atravessada por alguém que a vai deglutindo para abrir caminho. As cercas são feitas de salsichas, os gansos aparecem já assados, os porcos, já prontos para serem cortados, exibem as facas no couro, e grandes tortas formam o que aparentam ser cactos.
Cockaigne - Vincent Desiderio
O mito retorna no início do século XXI, na obra "The Cockaigne" ( não por casualidade há semelhança fonética com Cocaine) pintada meticulosamente em óleo sobre uma tela de aproximadamente 4,60cm por 3,35cm, entre 1993 e 2003, que pertence ao acervo do Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Washignton, ( http://hirshhorn.si.edu/ ) , por Vincent Desiderio ( Philadelphia, EUA,1955).
"A versão de Vincent Desiderio é uma crítica ao que ele chama de "bulimia cultural" - nosso consumo compulsivo de imagens que só nos deixa mais famintos de mais imagens.É também um comentário sobre o procedimento da pintura no século XXI: diante de tal pletora de estilos e linguagens formais, como é possível criar algo novo, alguma coisa distintamente relevante ao nosso próprio tempo?"( por Bia Fineman do New Yor Times)
Enquanto alguns detectam sinais que a festa acabou, simbolizando o fim da pintura, Desiderio nega que ela carregue uma mensagem pessimista. "Eu pintei a terra devastada", ele disse, "transformando-a em  colheita." O próprio fato de que ele trabalhou tão longa e arduamente para criar a obra, sugere que a pintura está viva e bem. O trabalho em si já demonstra, ele observou, "o poder da pintura."  Desiderio fala apaixonadamente sobre o dilema enfrentado pelos artistas contemporâneos, confrontados por uma infinidade de estilos e linguagens,  frequentemente em perigo de serem oprimidos por tantas informações sobre arte. Desiderio afirma que há uma nova onda de interesse pela pintura, particularmente a pintura séria, porque" a pintura é um meio que ressalta a voz individual num momento em que a maioria das áreas de expressão são dominadas pelo tipo de estilização genérica ou manipulação genérica de materiais encontrados .... A pintura é um santuário para a voz individual, num momento em que a individualidade tornou-se tão manipulada como os materiais  que a maioria usa em arte hoje em dia." 

Ceci n'est ce pas une pipe - Magritte


Desiderio se baseou na sua própria coleção de livros de arte para reproduzi-los na tela. As escolhas de como eles apareceriam na pintura - em foco ou fora de foco, obscurecidos por sombras ou reflexos - foram guiadas por sua significancia para ele, ao invés de por uma percepção acurada. "Mesmo que esta cena realmente existisse, esta não seria a maneira como uma câmera a veria", ele disse.
O tampo da mesa inclinado com louça espalhada e restos de um banquete, relaciona-se de imediato à pintura de Bruegel, porém com uma tigela vazia ao centro, esse vazio do recém consumido. Ao contrário da Cocanha de Bruegel, estas tigelas não se tornarão novamente cheias. O que parece não ter fim é o mar de livros que rodeiam a mesa e que representam seis séculos de arte ocidental, como os restos de uma festa realmente grande. Nas páginas destes livros virtuais - ironia!- ele reproduz meticulosamente, em versões miniaturizadas, suas obras favoritas de artistas que, numa passada rápida de olhos, podemos identificar: Velázquez, Van Eyck, Ribera, Vermeer, Courbet, Whistler, Manet , Matisse, Henri Rousseau, Giacometti, Picasso, Magritte, Mondrian, Whistler, Cassatt, Gabo, Motherwell, entre outros.
Academy (detalhe do tríptico)- Desiderio
Cocanha, Cocagne, Cocuña, Cockaigne , Cocaine. Tudo nos remete à compulsão do consumo por imagens, comida, produtos, poder, grana, que desaba sobre nós num vórtice vicioso, cornucópia infinita de vanitas em que se trasnformaram as livrarias, os shopping centers, os condomínios, as escolas, os restaurantes,os mp3, os mp4, os computadores, os celulares e todas as suas parafernálias, as religiões e as miríades de informações.
" O Sol nas bancas de revista, me enche de alegria e preguiça, quem lê tanta notícia?" , e o Caetano nem podia sonhar com tudo o que se veicula hoje. Ou como escreveu pra mim a Lena Amorim a respeito da obra do Desiderio: " Tanta oferta, tanta fartura, quanto muito! Quem consegue saborear e digerir? Fastio - doença do excesso."
                         

sábado, 24 de setembro de 2011

Melancholia - de Dürer a Lars von Trier

"POR QUE RAZÃO TODOS AQUELES QUE FORAM HOMENS DE EXCEÇÃO NO QUE CONCERNE À FILOSOFIA, À CIÊNCIA, À POESIA OU ÀS  ARTES, FORAM MANIFESTAMENTE MELANCÓLICOS, E ALGUNS MESMO A PONTO DE SEREM ATINGIDOS POR MALES ONDE A BILE NEGRA ERA A ORIGEM?" (Aristóteles)

Madalena - George de Latour





Reconhece-se a Melancolia pela sua eterna postura codificada na  antiguidade grega. Das estelas funerárias do século Vac ao retrato do dr. Gachet de Van Gogh, a atitude não muda muito. São Jerônimo ou Madalena, retratos de cavalheiros, autoretratos de artistas, a pose é semelhante. As costas curvadas, a cabeça inclinada, o olhar voltado para o chão, perdido em devaneios ou implorando em direção ao espectador. Uma das mãos sustenta o maxilar ou a fronte. O universo é plumbeo - e o chumbo é um metal saturnino - o corpo    petrificado, a alma enclausurada sob o peso das lembranças, mágoas, nostalgias. Lassitude e concentração.
  
A história da melancolia começa no século IV ac, na Grécia. É lá que aparece pela primeira vez a palavra melankholia que é formada pela associação de duas palavras: melan = escuro e kholia = bile. Foi traduzida para o latim Melancholia, a partir do século IIIdc .
Os Pensadores gregos da época, após determinarem as leis que regem a natureza, voltaram-se para o indivíduo, utilizando os princípios desenvolvidos para a natureza. Como ela compreende quatro estações e a matéria quatro qualidades fundamentais - calor, frio, seco, úmido - as quatro estações do ano, os quatro pontos cardeais, os quatro elementos  - água terra fogo e ar -, o Homem, pensaram eles, deve também estar constituído por quatro elementos. Então, no século IVac , num escrito intitulado ' Da Natureza do Homem', Hipócrates isolou no corpo humano quatro 'humores': três deles seriam substâncias residuais provenientes de parte dos alimentos não digeridos pelos corpos. A bile negra (melan kholia) proveniente do baço, a bile amarela proveniente do fígado, a fleuma das linfas e o sangue. A saúde se define em consequência do equilíbrio dos quatro humores e, a doença, do predomínio de uma dessas substâncias. 
A melancolia designa, por um lado, uma substância natural do corpo mas, por outro, a doença ligada ao excesso desta substância. O equilíbrio entre a bile negra aquecida ( que geraria o furor) e a bile negra esfriada (que causa a prostração), a temperatura média, poderia engendrar um estado de inspiração genial. A melancolia inspirada não seria patológica.
Com a chegada do Cristianismo alguns anacoretas em retiro no deserto experimentavam uma espécie particular de melancolia conhecida como ACEDIA, palavra derivada do grego AKÊDIA que significa negligência, indiferença ou tristeza profunda, abatimento, lassidão. Também conhecida como 'demônio do meio dia', passa a figurar como o sexto dos, na época, oito pecados capitais.
Saturno é o planeta associado à Melancolia. Essa associação vem dos astrólogos árabes que, no século VIIdc traduzem e interpretam o pensamento grego. A lenta evolução de Saturno no céu, sua influência restritora sobre as criaturas, a demora que ele causa, seriam características melancólicas. Porém, no século XII, esta tradição astrológica encontra uma outra tradição que se fundamenta sobre a ligação entre os sete planetas conhecidos e os sete dons do Espírito Santo. Esta nova associação deu a Saturno o maior dos dons- a Sabedoria.
Em 1514 o artista alemão Albrecht Dürer criou a gravura em metal 'Melancholia I' que Moacir Scliar em seu livro 'Saturno nos Trópicos' assim descreveu:
'Representada como uma mulher de asas  potencialmente capaz de altos voos intelectuais. Mas ela não está voando. Está sentada imóvel, na clássica posição dos melancólicos, com o rosto apoiado em uma das mãos (...) a cabeça lhe pesa, cheia que está de mórbidas fantasias. Os músculos da nuca, que deveriam manter erguida aquela cabeça, de há muito cansaram.No ansioso esses músculos estão sempre tensos; é uma tensão arcaica, a mesma que faz o herbívoro erguer a cabeça alarmado quando fareja um carnívoro. Na Melancholia I,às voltas com demônios interiores, a ameaça externa, real ou imaginária, não importa muito. Permanece imóvel como se lhe faltasse ânimo para movimentar-se ou (...) a figura encontra-se em intenso transe visionário(...).Sua fronte está coroada com plantas aquáticas destinadas a combater a secura que, como vimos, é uma das características dos melancólicos.
Junto à Melancolia, um cão adormecido. Dizia-se então que o organismo do cão é dominado pelo baço (...). Na gravura ainda há uma profusão de objetos usados no cotidiano, em vários ofícios e na ciência.: uma balança, uma ampulheta, uma sineta, martelo, serrote, pregos. Aparentemente eles não estão ali para serem usados; ao contrário, sugerem imobilidade - a mesma imobilidade que transparece na  própria Melancolia e no sono do cão. O tempo está congelado: os dois compartimentos da ampulheta contém a mesma quantidade de areia. Uma tábua numérica cujos números somados dão sempre o mesmo resultado, na horizontal ou na vertical - uma alusão à geometria, muito valorizada então como fonte de conhecimento não apenas teórico. As chaves na cintura e a bolsa no chão - chave significa poder e a bolsa, riqueza. Estas são anotações do próprio Dürer.
Ela tem tudo isso mas falta disposição para ir em busca de novos espaços. A bolsa remete à avareza característica tradicionalmente atribuída aos melancólicos. Aliás, a Melancolia se apresenta com o punho cerrado, o PUGILLUM CLAUSUM que até hoje é um símbolo clássico da avareza. Walter Benjamin chama a atenção para a pedra. Dura e fria, é um símbolo da melancolia e da loucura também. No final da Idade Média havia um procedimento para tratar os loucos: fazia-se uma incisão no crânio do doente 'abrindo-lhe' a cabeça. Depois era lhe apresentar uma pedra supostamente dali retirada, a pedra 'causadora da loucura'. Daí veio a expressão louco de pedra."
A gravura de Dürer surge quatro anos depois do aparecimento de um manuscrito que circulava nos meios literários alemães, o DE OCULTA PHILOSOPHIA, de autoria de um filósofo versado em ocultismo Agrippa de Nettesheim. Ali ele distingue uma bile branca, à qual ele atribui o entusiasmo sucetível de estimular a criatividade e geraria três epécies de melancolia ligadas, seguindo uma ordem ascendente, às três faculdades da alma: a imaginação, a razão e o espírito.
A primeira, a Melancholia Imaginatoris seria o lugar de gênios de um tipo inferior. Ela governaria os homens mais incultos, aos quais ela permitiria o acesso a um status de pintor e de arquiteto. Ela reinaria também sobre as catástrofes naturais onde os cometas e arco íris seriam signos premonitórios.
A segunda, a Melancholia Rationis acompanharia os filósofos, os doutores e os oradores que, graças aos gênios intermediários, teriam acesso ao conhecimento pela razão. Os livros e tudo aquilo que demanda tempo e números pertenceria a esta segunda esfera melancólica.
A terceira, a Melancholia Mentis reuniria os espíritos mais elevados e a eles revelaria a lei de Deus. Na sua esfera de influênia, os cometas e os arco íris poderiam também anunciar a chegada de uma redenção final.
Na Melancholia I, Dürer coloca elementos citados por Nettesheim nas Melancolias 1,2 e 3, mas não cria obras individuais para cada uma delas. Com a obra de Dürer, a melancolia começou a tornar-se um sujeito autônomo, destacando-se de qualquer referência à teoria dos quatro humores ou temperamentos. Ela representa, antes de mais nada, uma mudança de paradigma. A melancolia já não é uma entidade médica, não é doença,não é pecado. É metáfora.

John Everett Millais
Lars von Trier criou uma obra cinematográfica belíssima com o tema. Seu filme Melancholia compreende esse universo metafórico e faz associações as mais variadas, sucitando questões ao mesmo tempo atemporais e contemporâneas, como inexorabilidade, finitude, controle e a falta de, ritualização, hipocrisia, inocência e sabedoria. O filme divide-se em duas partes: Justine e Claire, nomes das duas irmãs que protagonizam o drama. Justine (Kirsten Dunst) é linda e está se casando. Claire (Charlotte Gainsbourg) nem tão bonita, mas eficiente e controladora, é quem organiza a festa de casamento da irmã.  O Diretor usa a festa para apresentar seus personagens: A Noiva Justine, o Noivo  Michael, a Irmã Claire, o Cunhado John,o Sobrinho Leo, a Mãe da noiva Gaby, o Pai da noiva, o Chefe da noiva, o Assistente do chefe, o Mordomo da casa, o Cavalo Abraham. Na chegada dos noivos - atrasados - à festa, já notamos um mal estar que vai se tornando cada vez mais incômodo à medida que a história avança. Claire mostra-se excessivamente preocupada com rituais , horários e com o comportamento de Justine, procurando controlar tudo e manter as aparências. John é o rico proprietário do castelo situado em meio a um campo de golf, onde a festa acontece. Repete várias vezes que está gastando uma fortuna e, em conversa particular com Justine, menciona que eles tem um acordo: ela vai ser feliz. Ela diz que está tentando. Michael é, seu nome sugere, bom como um anjo,  de uma pureza quase naífe.  Aparentemente não está a par completamente do estado que vai tomando conta  de sua noiva : a profunda melancolia. Ao que parece, a família 'acha uma solução' para Justine, casando-a com aquele marido tão gentil e capaz de 'cuidar' dela. Justine chega na festa radiante e linda. É a primeira a perceber uma 'estrela' diferente no céu, que John diz ser Antares, mas que na verdade, é um planeta chamado MELANCHOLIA, que esteve escondido atrás do sol, e que agora se torna visível.( Há um planeta que se anuncia na gravura de Dürer também. E assim como na gravura de Dürer, todo o conhecimento e tecnologia representados pelos instrumentos - compasso, serrote, pregos, ampulheta, a esfera perfeita, o poliedro, a tábua dos números - vai ser inútil, o telescópio, o automóvel, a limusine, o carrinho de golf, o computador , o conforto e a segurança do próprio castelo, também serão.)
Durante a festa, a mãe das irmãs , Gaby, faz um discurso devastador. A partir daí, Justine inicia lentamente um processo melancólico. Já nada mais importa. Nem festa, nem casamento, nem marido, nem a promoção que o chefe dela anuncia, elevando-a de copidesquista à diretora de arte. Esse chefe representa os piores vícios de uma sociedade hipócrita, de exploração feroz das pessoas indistintamente. Ele tem um assistente chamado Tim a quem ele submete um joguinho sórdido. Esse rapaz, protótipo do jovem medíocre e ambicioso, aceita. O pai das irmãs é um bobo alegre, que resolve chamar todas as mulheres de Betty, inclusive a filha Justine, quando ela mais precisa dele. Humilha o mordomo - que no filme é tratado por Padrinho - que por sua vez, aceita a humilhação sem reclamar.A inocência está representada pelo sobrinho Leo, para quem Justine , a 'tia quebra aço', vai ser fundamental no final da história. E o instinto é Abraham, o cavalo.
Há que se destacar a música que funciona quase como um outro personagem : 'Prelúdio de Tristão e Isolda', de Wagner.

Após um diálogo entre as duas irmãs numa sala reservada onde Claire cobra o compromisso de felicidade da irmã, Justine, ao ficar sozinha, angustiada, troca todas as páginas dos livros de arte expostos nas prateleiras das estantes. As páginas exibem quadros de Malevich, abstrações geométricas ordenadas, claras, de rítmo dinâmico e progressivo. Nervosamente Justine vai trocando por imagens de Brueghel ('Os Caçadores' e 'A Cocanha' ), Caravaggio ('Davi e Golias'), John Everett Millais ('Ophelia') e Jeronnymus Bosch ( detalhe do tríptico 'O Jardim das Delícias Terrenas', painel do meio.)

Suiprematismo - Malevich
Suprematismo - Malevich


Cocagne - Brueghel
 A Cocagne é mito que surgia recorrentemente na Idade Média toda vez que as sociedades se viam diante de períodos de fome , morte e peste.  Era um lugar imaginário onde havia fartura inacabável até o fastio. Tudo era comestível: as árvores e as cercas do lugar eram feitas de bolos e pães. E as pessoas comiam tanto que acabavam prostradas, acometidas de uma 'acedia' imobilizante. Para se chegar a esse lugar, tínha-se que abrir caminho comendo uma montanha de massa. Tudo isso, Brueghel representou magnificamente no seu quadro. E a escolha dele pelo diretor do filme, é bastante feliz se o compararmos à festa do casamento e, mais ainda, à sociedade de luxo e consumo da Europa atual, cuja economia já começa a dar sinais de saturação e declínio.



CAçadores - Brueghel

A imagem ameaçadora destes caçadores chegando em silêncio sorrateiro na neve é a primeira a aparecer numa espécie de prólogo do filme. Ao som do 'Prelúdio de Tristão e Isolda', de Wagner, a imagem vai se deteriorando lentamente. É um mundo que acaba. Acabou no século XVI para os contemporâneos de Brueghel e Dürer, onde todas as certezas que tinham foram substituídas por outras, muito mais inquietantes, que viriam a se consolidar após a Reforma, os Descobrimentos, as lentes, os espelhos (lunetas e câmaras escuras) e a consciência dos espaços infinitos . E acaba agora, no nosso século, segundo von Trier, ao queimar sob o impacto do planeta Melancholia com a Terra, quando tudo irá ser destruído, inclusive toda a produção artística e cultural da humanidade. Consciência brutal da inutilidade de tudo. Metáfora de um momento histórico onde, outra vez, tudo são incertezas.

det Jardim das Delícias - Bosch
Um detalhe do tríptico 'O Jardim das Delícias Terrenas', de Jeronymmus Bosch aparece também em destaque. No meio de tantas figuras inquietantes, há um pequeno ser humano , bem no centro, assumindo a pose clássica da melancolia. Assim como Justine, que vai se tornando cada vez mais melancólica no meio da fartura e de todas aquelas 'delícias terrenas'.



Davi e Golias - Caravaggio

Esse trágico Caravaggio, cuja cabeça do Golias é um auto retrato segundo alguns autores, também figura entre as imagens escolhidas por Justine para ficarem expostas nas prateleiras. A cabeça do gigante cortada por um jovem que a observa com um misto de piedade e desdém, é uma das últimas obras do artista, cujo tema da decapitação se torna fequente a partir do momento em que ele é condenado à morte por enforcamento.




A referência à obra de John Everett Millais nesta cena é muito clara: Justine como uma moderna  Ophelia que, de certo modo, também se suicida ao entregar-se à depressão-acedia-melancolia-spleen-morteemvida. Sua imagem radiante do início, vai se desfazendo, apagando aos poucos a maquiagem, desmanchando o cabelo, rasgando o véu, tirando o vestido que, de lindo, passa a ser um enorme estorvo que a impede de caminhar. Um vestido que também se assemelha ao vestido do anjo na gravura de Dürer.Quem renasce é outra Justine,serena, segura e generosa como um anjo da morte que segura nossa mão nos instantes finais, que nos abriga em mágicas cavernas de gravetos. Justine na forma da sabedoria de Saturno.

Melancholia - Cranach
 Há outros três quadros denominados Melancholia no século XVI. São posteriores à gravura de Dürer e são de Cranach. Cada um deles ilustra um dos três estágios da Melancolia como descritos por Agrippa Netesheim. Nos três, o anjo da melancolia está afiando um graveto, gesto que vai ser imitado por Justine e seu sobrinho Leo, quando ela propões que eles construam a caverna mágica.



A obra de Paul Delvaux, surrealista das décadas de 30 e 40 , não aparece no filme mas o clima das cenas está impregnado de suas imagens principalmente a cena em que Justine aparece nua iluminada pelo Melancholia.




Songe - Paul Delvaux

O filme é uma obra prima, na minha opinião. Inúmeras leituras enriquecem o entendimento: desde o significado dos nomes ( Justine - justiça - é a heroína de uma das obras mais famosas do Marques de Sade), Claire (clareza), John ( o que anuncia o  Apocalipse), até uma leitura sócio econômica de uma sociedade que está prestes a se defrontar com o fim dos tempos, o fim de SEU tempo, a mudança da era, a passagem para Aquário, que, ao contrário do que cantávamos nos anos sessenta, the moon is not in the 7th house, e a tolerância e o amor não estão no ar.

"Numa enchente Amazônica, numa explosão Atlântica, e a multidão vendo em  pânico, e a multidão vendo atônita, ainda que tarde, o seu despertar." Chico Buarque

Trilha sonora e algumas belíssimas imagens:
http://www.youtube.com/watch?v=QrcpxETbDxg

Filmes que estou me lembrando agora

  • "Melancolia"( Lars von Trier)
  • "O Jardineiro Fiel" ( Fernando Meireles), "Apocalypsis Now" ( Coppola), "Amarcord" (Fellini)," Cidade de Deus" ( Fernando Meireles), "Lavoura Arcaica" (Luis Fernando Carvalho),"A Noite dos Desesperados" ( Sidney Pollack),"Excalibur"( John Borman), "Jules et Jim" ( François Truffaut), "Roma" ( Fellini),"Blow Up"(Antonioni),"Salam Cinema!"(Makhmalbaf),"Babel" (Alejandro Iñarritu),"Diários de Motocicleta" ( Walter Moreira Sales)
  • "Volver"(Almodóvar), "Hable con Ella" (Almodovar), "Carne Trêmula"(Almodóvar), "Ata-me' (Almodóvar), "Todo Sobre mi Madre"(Almodóvar), "Barcelona" ( Woody Allen), "Match Point" (Woody Allen), "Manhattan" (Woody Allen)
  • Onegin (Martha Fiennes)

Livros que estou me lembrando agora

  • " A Prosa do Observatório" ( Julio Cortazar), "Passeio ao Farol" ( Virginia Woolf), "Budapest" ( Chico Buarque),"Hamlet" ( Shakespeare),"O Segredo da Flor do Ouro"(Jung),"A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen"(Eugen Herrigel), "I Ching o livro das mutações"(tradução de Richard Wilhelm),"Bhagavad Ghita"(tradução de Ramananda Prashad),"As Mil e Uma Noites'( tradução de Mamede Moustapha Jarouche),"História da Arte Italiana 1,2,3"(Giulio Carlo Argan),"Carnaval no Fogo" (Ruy Castro),"De Todos os Fogos o Fogo" (Julio Cortazar), "El Libro de los Seres Imaginarios"( Jorge Luis Borges),"Cartas a Theo' ( Vincent Van Gogh), "Noa Noa "(Paul Gauguin),"O Paraiso na Outra Esquina" ( Mario Vargas Llosa), " A Invenção da Liberdade"( Satarobinsky)
  • "Evangelho Segundo Jesus Cristo"( Saramago), "Ensaio sobre a Cegueira"(Saramago), O "Leite Derramado" (Chico Buarque), "As Núpcias de Cadmo e Harmonia" (Roberto Calasso)," Mulheres, Militância e Memória"( Elizabeth X. Ferreira), "Logações Perigosas" ( Chauderlos de La Clos),"Drácula"( Bram Stocker),"Do Espiritual na Arte" ( Wassily Kandisnky)