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sábado, 8 de agosto de 2009

Jackson Pollock e o Xamanismo


Jackson Pollock nasceu em Cody, Wyoming, em 1912 e talvez seja o mais conhecido representante da Action Painting ou Expressionismo Abstrato da Escola de Nova York. Seu interesse gravitava em torno da Filosofia do Extremo Oriente, dos escritos de Krishnamurti, das teorias de Jung, da música de John Cage, do Jazz e da pintura de Picasso, especialmente Guernica. Como muitos artistas de sua geração, sentiu-se atraído pelas experiências surrealistas com o automatismo psíquico e pela arte dos dito "primitivos". Picasso e Matisse reviram seus conceitos estéticos a partir da arte da Oceania e da África.




Pollock foi buscar no xamanismo dos índios norteamericanos um fio condutor para sua busca pessoal através da arte, que surgia agora mais como um prolongamento exterior da interioridade do artista. Num primeiro momento, seus quadros semifigurativos ainda procuram ilustrar vivências rituais xamânicas: o sacrifício, a fusão homem animal ( a fusão de um xamã em um animal totêmico é uma das suas condições para sua viagem no invisível), o nascimento, o êxtase, a morte , o renascimento, produzindo uma arte de essência espiritual, fruto de um pensamento penetrado por simbolismos, plena de sacralidade e sensualidade.


Nos últimos dez anos de sua vida, Pollock dedica-se ao que se convencionou chamar de "dripping" , onde ele parte do zero, do pingo de tinta que deixa cair na tela, deixando certa margem para o acaso que atua como um sentido de liberdade em relação às leis da lógica. Nesta fase de sua obra, não "ilustra" mais através das imagens a "viagem" xamânica; agora , por intermédio da pintura de ação, é a própria vivência ritualística que está ali representada. Sua pintura é resultante de uma gestualidade corporal que o mantém numa condição de excitação constante, quase um lúcido delírio: o êxtase xamânico. É a única pintura que não toca a tela e na qual o artista funciona como um intermediário entre sua própria natureza e a obra, produzindo marcas com o auxílio do acaso e do rítmo de seus gestos.

De Outubro do ano passado a fevereiro deste ano, Pinacothèque de Paris expôs "POLLOCK ET LE CHAMANNISME", reunindo obras deste período e alguns objetos rituais.


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