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terça-feira, 13 de abril de 2010

A Leiteira de Vermeer


Esse é o "meu" quadro. Se pedissem pra escolher qual pintura deveria sobreviver a uma hecatombe, eu escolheria esta, sem hesitar.Porque me transmite, no sentido supremo, a idéia de humanidade. De ser humano cuidando de seu trabalho com uma concentração quase religiosa, cuidando de produzir os alimentos mais sagrados (pão e leite) para si e para outros, uma vez que, pelos trajes, ela é uma criada. E a cesta à esquerda lembra que é preciso guardar. A lâmpada dourada ao lado dela, simboliza a luz interna, já que a luz divina, na sua forma solar, entra pela janela iluminando quase que misticamente a cena. No chão, o moedor do trigo, o simbolo do trabalho.E aquele silêncio próprio das obras do Vermeer que envolve tudo numa sacralidade atemporal.
Nem vou falar das cores...esse amarelo mostarda e o azul anil.
Sabe-se pouco sobre sua vida. Era protestante e converteu-se ao catolicismo para casar-se, aos 20 anos, com Catharina. Tiveram 11 filhos, dos quais 8 eram mulheres. As moças que aparece em suas obras eram, muito provavelmente, suas filhas, mesmo a moça do brinco de pérola. O romance com o mesmo nome que deu origem ao filme, é pura ficção. Moravam na casa da mãe de Catharina, onde o chão nem era de mármore como ele costuma representar em suas obras.Vermeer morreu aos 42 anos de um colapso, nas palavras de sua mulher. Escreveu ela que ele passou de saudável a morto em um dia. Os 11 filhos e as dívidas que se avolumavam, contribuiram definitivamente.Ficou esquecido durante aproximadamente 200 anos. Sua obra prima "A Arte de Pintar" foi vendida como sendo de outro pintor, seu rival de Hoock. Só em fins do século XIX seu valor foi resgatado.

Um comentário:

  1. Anacris, então acho que empatamos - ou quase! Esse quadro é um dos meus prediletos também. Sempre que dou com ele, me emociono e acabo ficando mais tempo do que planejava só olhando, olhando... Mas existe um outro quadro do Vermeer, semelhante a este, que me faz desacelerar a correria da vida: é o delicadíssimo "Young Woman with a Water Pitcher", que está no Metropolitan Museum de Nova York. Por eu ter tido a oportunidade de estar diante dele mais tempo (inclusive, em certa ocasião, fiquei uma hora inteirinha na frente dele, numa aula inesquecível, como parte do treinamento do Museu), acabei me afeiçoando a este quadro de forma muito especial. Mas reconheço que, como você bem colocou, a postura "quase religiosa" desta moça vertendo o leite na vasilha deixa a gente com vontade de ajoelhar e rezar. Vermeer vobiscum!

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